Manifestantes invadem a Câmara dos Deputados e não tem a pretensão de sair de lá até ser expulsa, protestando contra a "entrega de riquezas da nação", gritavram "viva Sérgio Moro", e pediam um general, "qualquer um", no comando do país.
Esse é o tipo de acontecimento bizarro em que sobra hipocrisia de todos os lados.
Da esquerda que defende as ocupações nas escolas porque "elas pertencem aos alunos" e ironizou quando os manifestantes foram presos. Ora, a Casa do Povo pertence quem? Vale a discussão se numa República o Império das Leis deve valer mais do que o Arbítrio dos Homens.
Da direita fã de Bolsonaro que efetivamente invadiu o plenário da Câmara e até ontem chamava os estudantes de vagabundos desocupados. Como gostam de repetir, "quarta feira de tarde é hora de estar trabalhando".
Ademais, mesmo não gostando dessas coisas, mas essa trupe precisando estudar história. Gritar "Viva Sérgio Moro" na Câmara e logo depois clamar por um general no comando do governo fere a lógica mais elementar.
Foi um general que em 1968 fechou o Congresso após os deputados se recusarem a cassar o mandato de um opositor.
Também foram generais que beneficiaram com contratos polpudos as construtoras Norberto Odebrecht, Camargo Côrrea, Queiroz Galvão, e Andrade Gutierrez. As mesmas companhias que Moro aceitou os pedidos de prisão dos seus respectivos presidentes, algo impensável na época do generalato.
No mais, se você realmente odeia o sistema político deveria pedir o fim dele. Sim, o fim! Aprofunda-lo concentrando todos os poderes em um general não vai te ajudar.
O que realmente combate a política são as soluções que empreendedores ao redor do mundo estão criando para nos levar para longe do Leviatã - Uber, Bitcoin, airbnb, o Ethereum, etc. - não para perto dele.
Texto de Ivanildo Santos Terceiro.
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