"Acredito que, pela primeira vez, deve haver alguma presença mais significativa de pessoas de esquerda numa manifestação anticorrupção, mas não sei se elas serão bem recebidas e acho que isso não será suficiente para mudar o caráter desses protestos e o estado de polarização no Brasil. Algo assim só aconteceria se houvesse um acordo entre forças organizadas dos dois campos, o que parece que não vai acontecer tão cedo. Hoje os dois países são do mesmo time’: a família argentina que viajou 300km para se despedir da Chapecoense. Para isso, os grupos anticorrupção precisariam acomodar a defesa dos serviços públicos (que se expressaria, por exemplo, na rejeição aos cortes em saúde e educação da PEC 55) e os grupos que defendem os direitos sociais precisariam abraçar de maneira mais aberta as medidas de combate à corrupção, inclusive quando afetam o PT. É um xadrez difícil com tanta desconfiança de ambos os lados e tantos interesses políticos em jogo". *Ponderou o professor de políticas públicas da USP Pablo Ortellado
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