Estou cansada das “panelas”, das hierarquias, do policiamento dos outros e dos desequilíbrios de poder que existem entre pessoas que se afirmam amigos e correligionários. Estou exausta e entristecida com o fato de qualquer tipo de discordância ou de diferença de opinião dentro de círculo ativista conduzir a uma briga, o que, às vezes, inclui o desamparo de certas pessoas, tachadas de “perigosas”, além de humilhação e difamação públicas. É repulsivo que aleguemos estar construindo um novo mundo, uma nova sociedade, uma maneira melhor de lidar com problemas sociais — mas, quando uma pessoa comete um erro, diz e/ou faz algo de errado, nem seja dada a ela a chance de expor a sua versão do que aconteceu, porque o processo de resolução de conflitos é, em si, pautado pela ideologia, ao invés de uma disposição a compreender fatos. Na verdade, nos círculos ativistas de hoje em dia, tem sorte quem recebe qualquer tipo de julgamento justo, uma vez que todo mundo é colocado sob uma pressão social para acreditar em tudo o que lhes é dito, independentemente do que de fato ocorreu numa determinada situação.
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