Perdi as contas de quantas vezes o entregador da água tocou a minha campainha e ao abrir a porta eu gritei "Chegou a água, pai", para que ele tivesse certeza que eu não estava sozinha, quando na verdade, eu estava. Perdi as contas de quantas vezes entrei num táxi/uber à noite e fingi ligar para meu pai/irmão, para que o motorista soubesse que alguém tinha conhecimento de onde eu me encontrava naquele momento. Perdi as contas de quantas vezes apressei o passo quando largava às 22h da UFRPE e percebia que havia um homem caminhando atrás de mim na mesma calçada. Perdi as contas de quantas vezes me senti suja por ser obrigada a ouvir assédios dos mais diversos tipos e tive que baixar a cabeça, por medo de revidar. Perdi as contas de quantas vezes, mesmo com calor, resolvi trocar o short pela calça, porque iria passar em um lugar ermo durante o trajeto que faria. Perdi as contas de quantas discussões em comum tive com amigas, parentes, colegas de trabalho e atestei que ser mulher é travar uma batalha árdua e cotidiana para ser reconhecida, respeitada e até mesmo para sair e voltar para casa viva e ilesa, ainda que, por vezes, não dê tempo nem cruzar a porta. Perdi as contas de quantas Mirellas, Elóas, Elizas, Danielas perderam e perdem todos os dias o direito de viver. Perdi as contas, mas a esperança por respeito, igualdade e justiça ainda permanece aqui - machucada - mas aqui.
#SomosTodasMirella
#SomosTodasMulheres
Respeito sempre.
terça-feira, 11 de abril de 2017
Somos todas Mirella!!!
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