É o meu aniversário e por isso hoje digo: Parabéns a mim! Vivi mais um ano de vida e por esse fato sinto muita gratidão.
Cheguei aos 55 anos com saúde.
Alcançar 55 anos, o que isso significa? Não haverá na prática muita diferença entre 40, 50, mas já que se trata de um número bonito, nada custa tecer algumas reflexões especiais.
Sou da safra de 63, pisciana bem assumida e feliz com meu dia 8 de Março. Aliás, Março é um mês que sempre me agradou, um mês festivo, forte!
E Por incrível que pareça, tenho me dado conta de algumas avaliações internas, balanços existenciais, recordações dos trechos percorridos, saudades de tempos idos e de pessoas ausentes.
A primeira coisa que me vem ao coração, todas as vezes que avanço na idade, é que não sou mais a menina precoce, que fui na adolescência, não sou mais a jovem promissora…que provocava elogios.
E que sou eu então – aliás, que estou eu então? que sou eu então – Um espírito de cansaço, velhice e desilusão. Mas, se há algo que jamais perdi é a paixão, o ímpeto de agir, o idealismo agudo, que alguns consideram exagerado, porque é um idealismo duro, que não faz concessões. Às vezes, quando falo me vejo mais entusiasmada e eloquente, confiante e otimista. Talvez seja o ardor de revoluções (pacíficas, claro) que não me abandona jamais.
O que também não perdi em 55 anos é meu coração de criança. É que não sei mentir, sou sincera ao extremo, sentimental sem limites. Sensibilidade à flor da pele. E lá vem sofrimento nesse mundo individualista, que se esfria cada vez mais, que considera todo sentimento brega, imaturo, tolo… que confunde desapego com indiferença individualista.
Desapego que anda junto de fidelidade a princípios em que acredito e com que jamais negocio. Disso tenho orgulho! Nunca fiz um trabalho que contrariasse a minha consciência, nunca fiz concessões no que considero justo, honesto, bom, elevado e belo.
Confesso que endureci, com toda a adversidade que qualquer ser humano passa na vida. Mas ainda não perdi a ternura. Mesmo que alguns zombem disso. Mas há muitos outros que se achegam, gostam de um afago, confortam-se com uma palavra de amor e um colo farto e materno.
Do que mais gosto: crianças, animais, natureza, música, poesia, filmes e espiritualidade. Essa sempre foi forte em mim.
O maior patrimônio que acumulei nesses 55 anos de vida: a consciência limpíssima de estar cumprindo meu destino, fazendo o melhor que posso; muitos e profundos e duradouros afetos; muitos ideais erguidos à custa de suor e lágrimas; muitas flores e frutos das sementes semeadas…
A maior dor: as saudades dos que se foram, que aqui estão, mas que não posso tocar; as ingratidões colhidas de pessoas amadas, que se retiraram do meu caminho…
Aliás, sou um uma confusão de sentimentos, uma tempestade de emoções; e não podia ser diferente, já que o que faz bela a minha vida é mesmo a inconstância, a minha família tão amada, que segue comigo nessa jornada, e a Deus que me cumulou de bênçãos ao longo da minha vida!
O que espero e quero para o futuro: Mais afetos, mais livros, mais ideais erguidos, semeados e frutificados, meus amigos à volta, meus gatinhos se multiplicando… e sempre maior serenidade, dessa que tenho acumulado aos poucos, caminhando para uma velhice de trabalho e paz e uma morte de reencontro, com todos os que me esperam na outra margem da vida.
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