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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Obrigado Rainha Marta

* Marta Viera dá Silva; única atleta do futebol a vencer o prêmio de Melhor Jogadora do Ano por cinco anos consecutivos (2006, 2007, 2008, 2009, 2010).
"Eu sofri muito preconceito, ouvi muita besteira. Alguns diziam que eu não podia jogar por ser mulher. Outros falavam que eu era macho" Só entrei na escola com 9 anos. Apesar de a escola ser pública, minha mãe não tinha dinheiro para o material. Faltava tudo lá em casa. Comer um doce, tomar um refrigerante, essas coisas só eram possíveis quando estávamos na casa de algum parente que tinha uma situação melhor”. Em todas essas equipes, jogava com meninos. Era a única garota entre eles. Eu sofri muito preconceito, ouvi muita besteira. Alguns diziam que eu não podia jogar por ser mulher. Outros falavam que eu era macho. Isso machucava muito. Eu era criança e ouvia aquilo tudo. Mas eles me aturavam porque, dentro de campo, eu fazia a diferença.” no dia que eu sentir que eu não tenho mais essa vontade de progredir, de vencer, de desafiar, talvez seja o momento de parar“. “Eu já pensei muitas vezes e eu acredito que já estaria casada e com filhos. A mentalidade na minha cidade não tinha tanta perspectiva de vida. É casar, trabalhar para o poder público ou trabalhar na plantação... É o que aconteceria comigo se eu não tivesse tomado esta decisão de deixar tudo para trás e ir atrás do meu sonho”, contou ao site americano espnW. “Mesmo sabendo que a realidade do futebol feminino talvez não seja tão proporcional para chegarmos em uma competição e chegar preparada. A gente não tem a estrutura que necessitamos para chegar e falar assim: ‘Ó, agora a gente vai cobrar o título’. A gente está melhorando em relação a isso, mas é uma coisa que tem que ser trabalhada para depois você colher os frutos. Não adianta jogar a gente lá e falar assim: ‘Volta só se for com o título’. Mas é a realidade do Brasil. O povo brasileiro é assim”, conta. “Desde pequena eu buscava fazer meu melhor seja no esporte ou em qualquer outra atividade. Eu estava sempre em busca da disputa comigo, com meus amigos, com as meninas. Muitas vezes as meninas nem queriam que eu participasse das atividades físicas porque falavam: ‘Ah, ela vai ganhar’. E aí eu tentava incentivar porque eu precisava de um adversário para poder alcançar minhas metas. Eu sou assim. Sempre fui desde pequena. Continuo sendo, quero estar sempre buscando meu melhor e, enfim, no dia que eu sentir que eu não tenho mais essa vontade de progredir, de vencer, de desafiar, talvez seja o momento de parar“. “Quando fui jogar na Suécia, ganhava em torno de R$ 3 mil. As pessoas pensam que o contrato das jogadoras que se destacam chega perto do contrato do Neymar. Mas isso é totalmente fora da realidade do futebol feminino”,

O mundo agradece a persistência. Obrigado, rainha Marta.

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